Daily Archives: 9 de agosto de 2017

A POLÍCIA PRENDEU TRÊS SUSPEITOS POR MORTES EM ÁREA QUILOMBOLA EM LENÇÓIS. A CHACINA DEIXOU SEIS MORTOS NA ZONA RURAL DE LENÇÓIS.

Um chacina foi registrada pela polícia na noite deste domingo (06/08), na Zona Rural de Lençóis, na Chapada Diamantina – Bahia. Seis homens foram assassinados por arma de fogo.
Por volta das 22:40, a 42ª CIPM de Lençóis (Companhia Independente da Polícia Militar), foi acionada e informada que teria havido mortes no Povoado de Iúna.
Ao dirigir-se ao local a Polícia Militar constatou a veracidade dos fatos.
Seis homens foram encontrados mortos, sendo dois assassinados em uma casa e outros quatro em outra local.
A Polícia isolou a área, fez a identificação das vítimas e aguardou a chegada da perícia e da Delegada da cidade.
A motivação da chacina ainda não foi revelada pela Polícia Civil. O Chapada News aguarda mais informações da delegacia local.

SEIS MORADORES DE ÁREA QUILOMBOLA MORREM EM CHACINA NA CHAPADA DIAMANTINA.

A linha de investigação é de envolvimento das vítimas com o tráfico de drogas

Seis moradores de uma área remanescente de quilombo foram assassinados a tiros na zona rural de Lençóis, na Chapada Diamantina. Em menos de um mês, já são oito quilombolas mortos  na Bahia em regiões de disputas de terras.

O crime ocorreu na noite do último domingo (6), no Território Quilombola de Iúna, cujo processo de regularização fundiária foi iniciado em 2010 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

As vítimas moravam em duas casas vizinhas e foram mortas dentro dos imóveis – quatro em uma casa e dois em outra – por homens que estavam em um veículo preto não identificado.

A Polícia Civil de Lençóis informou que cada vítima recebeu de quatro a cinco tiros. Ninguém foi preso. A polícia trabalha com a hipótese de os crimes estarem relacionados ao tráfico de drogas – duas vítimas tinham passagem por tráfico.

Foram mortos Adeilton Brito de Souza, Gildásio Bispo das Neves, Amauri Pereira Silva, Valdir Pereira Silva, Marcos Pereira Silva e Cosme Rosário da Conceição. Os corpos foram sepultados na tarde desta segunda (7) e na manhã desta terça (8).

Procurada pelo CORREIO, a Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) informou que o caso está sendo investigado por dois departamentos: o de Polícia do Interior (Depin) e o de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco). Ainda de acordo com a pasta, uma das linhas de investigação é o envolvimento das vítimas e dos autores com o tráfico de drogas.

Um representante da Ouvidoria Regional Agrária do Incra estará em Lençóis na próxima segunda-feira (14) para acompanhar as investigações.

Com esses crimes, o clima de disputa na área fica ainda mais acirrado. Segundo a polícia, fazendeiros da região querem expulsar os quilombolas do território e impedir que o Incra dê continuidade à regularização fundiária.

Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), um dos passos iniciais para a regularização, “encontra-se pronto e será apresentado ao Comitê de Decisão Regional da instituição”, informou o Incra. Atualmente, o Território Quilombola de Iúna abriga 1.400 habitantes e 39 famílias, segundo o Incra. A área é de 1,4 mil hectares.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à Igreja Católica, e a Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais (ARTT) informaram que estão acompanhando as investigações sobre os crimes com representantes em Lençóis e manifestaram solidariedade às famílias das vítimas.

O Incra declarou que “solidariza-se com a comunidade Iúna e com as famílias das vítimas, os trabalhadores rurais quilombolas. A notícia chocou a autarquia”.

Há 303 processos de regularização de territórios quilombolas em aberto na Bahia, sendo que 34 estão publicados (em fase avançada de regularização). No estado ainda não há nenhum território com título.

No relatório sobre os conflitos no campo 2016, divulgado este ano pela CPT, foram identificados 19 territórios quilombolas na Bahia em disputa de terras com terceiros.

Violência
No dia 16 de julho, no mesmo território quilombola em Lençóis, Lindomar Fernandes Martins, 35 anos, foi morto com seis tiros por homens que invadiram a casa dele. Até o momento, também não houve prisão por esse crime.

Também em julho, no dia 17, outro morador de área remanescente de quilombo, José Raimundo Mota de Souza Junior, 38, foi morto com dez tiros. O crime ocorreu no Território Quilombola Jiboia, zona rural de Antonio Gonçalves, Centro-norte baiano. Lá, vivem 2.016 habitantes e 224 famílias.

No momento do crime, ele estava trabalhando numa roça da família junto com um irmão, que foi poupado pelos quatro homens, que chegaram num veículo preto não identificado e já desceram atirando.

De acordo com o Incra, o RTID do Território Quilombola Jiboia já foi publicado, e os proprietários dos imóveis rurais inseridos no perímetro, notificados. Atualmente, transcorre o prazo de 90 dias em que cabe a contestação por parte dos proprietários sobre o relatório.

Duas mulheres e um homem foram presos por envolvimento na morte de seis homens, no território quilombola de Iúna, distrito de Lençóis,na Chapada Diamantina, na Bahia, na madrugada de segunda-feira (7/08).

De acordo com a Polícia Civil, o crime foi motivado por disputa de tráfico de drogas na região. Dois homens também suspeitos de participar do crime foram identificados e são procurados pela polícia.

Segundo a polícia, um dos mortos, Gildásio Bispo das Neves, conhecido como Leixão, de 51 anos, que controlava o tráfico na localidade de Iúna, era o principal alvo da ação criminosa. A polícia já havia descartado que o crime tivesse sido motivado por disputa de terras.

Território Quilombola de Iúna fica em Lençóis, na Chapada Diamantina, Bahia (Foto: Arte/ G1)

Território Quilombola de Iúna fica em Lençóis, na Chapada Diamantina, Bahia (Foto: Arte/ G1)
Maconha foi apreendida com grupo; morte teve relação com tráfico (Foto: Divulgação/ Polícia Civil)
Território Quilombola de Iúna fica no distrito de Tanquinho, em Lençóis (Foto: Incra/ Divulgação)

Três pessoas foram presas e outras duas são procuradas pela polícia por envolvimento na morte de seis moradores de uma área remanescente de quilombo  na zona rural de Lençóis, na Chapada Diamantina. O crime ocorreu na noite do último domingo (6), no Território Quilombola de Iúna, cujo processo de regularização fundiária foi iniciado em 2010 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A Polícia Civil informou nesta quarta-feira (9) que a chacina está relacionada com a disputa pelo controle da venda de drogas na região.

As prisões foram efetuadas por policiais da 13ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), de Seabra. Segundo as investigações, uma das vítimas, Gildásio Bispo das Neves, o Leixão, 51 anos, controlava o tráfico na localidade de Iúna, povoado quilombola, e era o principal alvo da ação criminosa.

Léo Careca é procurado pela polícia por ser o líder do grupo criminoso
Foto: Divulgação/Polícia Civil

As investigações indicam que Leixão foi executado, com outros cinco comparsas, por ordem de Léo Careca, por estar comercializando drogas para um rival de Léo, conhecido pelo apelido de Naninho, oriundo da região de Irecê.

Além de Leixão, foram mortos, por cinco homens usando máscaras e roupas pretas,  Adeilton Brito de Souza, o Boga, 22, Cosme do Rosário da Conceição, 49, Marcos Pereira da Silva, 31, Valdir Pereira Silva, 28, e um sexto homem ainda não identificado oficialmente pela Polícia Civil. No entanto, o nome da sexta vítima foi divulgado pelo Incra como sendo Amauri Pereira Silva.

Na operação, foram presos Indira Luanda Ferreira Barbosa, 44, conhecida como Indira Professora, Ana Paula Gomes Santos, a Ana Paula de Birau, 35, e Gilvan Santos de Jesus, 26.  O trio, segundo a Polícia Civil,  integra a quadrilha liderada pelo traficante Leonardo da Silva Moraes, o Leo Careca, 29, que está sendo procurado.

Ana Paula, Gilvan e Indira foram presos acusados de participação no crime
Foto: Divulgação/Polícia Civil


Alef é suspeito de envolvimento no crime
Outro integrante que estava sendo procurado é Alef da Silva Alves que, de acordo com as investigações, foi o responsável por levar os assassinos até o local do crime e depois dar fuga ao grupo.

Foto: Divulgação/Polícia Civi

Na casa de Indira, que é responsável pela contabilidade da quadrilha, a polícia apreendeu pés de maconha e porções da droga já embaladas para venda. Ana Paula e Gilvan, que atuam como olheiros e vendem drogas, também estavam no local, em Tanquinho de Lençóis. Todos foram conduzidos à delegacia e autuados em flagrante por tráfico. Um inquérito foi instaurado e está em andamento para prender o restante da quadrilha