Bete Mendes.

Elizabeth Mendes de Oliveira, conhecida como Bete Mendes, (Santos11 de maio de 1949) é uma atriz e militante política brasileira. Já foi casada com ator e diretor Dennis Carvalho.

Filha do suboficial da Aeronáutica Osmar Pires de Oliveira e de Maria Mendes de Oliveira, não concluiu o curso de Sociologia na Universidade de São Paulo (USP) pois foi proibida de frequentar qualquer universidade durante três anos (conforme o Decreto-lei 477 então vigente), em razão do seu envolvimento com a organização de extrema esquerda Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares).[1] Posteriormente formou-se em artes cênicas, também pela USP .[2]

Apresentou-se pela primeira vez no teatro em 1968, na peça A Cozinha, de Arnold Wesker, com tradução do Millôr Fernandes e direção de Antunes Filho.[3][4]:64

Em 1970 foi presa pela primeira vez, pelo DOI-CODI (Departamento de Operações Internas – Centro de Operações para Defesa Interna, órgão encarregado, durante o regime militar, de proceder o combate aos grupos de esquerda), ficando quatro dias detida. Entre setembro e outubro foi novamente presa, ocasião em que, segundo afirma, foi torturada pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra,[5] o qual negou as acusações.[6] Absolvida pelo Superior Tribunal Militar, foi solta após trinta dias de cárcere – mas foi obrigada a abandonar o curso de Sociologia[2].

Participou ativamente de diversos movimentos sociais e sindicais, como a campanha pela regulamentação profissional de artistas e técnicos em espetáculos de diversões (conquistada em 1978), o apoio às greves dos Metalúrgicos do ABC paulista e o movimento pela Anistia.[2] É associada ao Movimento Humanos Direitos.[7]

Ao longo da carreira artística, voltada principalmente para a televisão, Bete Mendes foi uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores, pelo qual se elegeu deputada federal pela primeira vez, na legislatura 198387[2]. Foi, porém, expulsa do partido por haver votado, ainda no regime de eleições indiretas, em Tancredo Neves para presidente da República[4]. Elegeu-se novamente, desta feita pelo PMDB, para a legislatura seguinte (1987-91), tendo participado da Constituinte de 1987 [2].

O rompimento com o PT não a impediu de apoiar as candidaturas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive a última, em 2006, quando muitos artistas retiraram seu apoio a ele, após o desgaste que o partido sofrera com o chamado “escândalo do mensalão“.[8] [9]

Em setembro de 2007, Bete Mendes foi homenageada na cidade natal, onde teve seu nome na inscrito na “calçada da fama” – criada em frente ao Cine Roxy, no bairro do Gonzaga, em Santos -, ao lado de Pelé e do compositor Gilberto Mendes.

Quando exercia o seu segundo mandato, sendo presidente José Sarney, Bete Mendes integrou a comitiva presidencial em visita oficial ao Uruguai. No dia 17 de agosto de 1985 Bete reconheceu o adido militar da embaixada brasileira em Montevidéu, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, como sendo o seu antigo torturador, na prisão do Doi-Codi. O episódio ganhou ampla repercussão no país, reacendendo os debates sobre a amplitude da Lei da anistia, promulgada em 1979, discutindo-se se tal anistia de fato atingiria os envolvidos em crimes de tortura.

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Em resposta à acusação de Bete Mendes, o Ustra fez publicar um livro, intitulado Rompendo o Silêncio, onde nega que a atriz tenha sofrido qualquer tipo de tortura e acusa-a de ter montado um “teatro” para promover sua reeleição. [12][13] Contra o coronel Ustra pesavam diversas outras acusações de ex-presos políticos, por prática de tortura, assassinatos e desaparecimentos de presos que estavam sob a guarda do DOI-Codi paulistano, além de ações judiciais movidas por familiares de ex-presos e pelo Ministério Público Federal.[14] Em 2008, a família de Luiz Eduardo da Rocha Merlino moveu uma ação para que a Justiça reconhecesse o papel de Ustra na morte do ex-preso, em decorrência de tortura, ocorrida no mês de julho de 1971. Em 2012, Ustra foi condenado a indenizar a família Merlino por danos morais. Ele recorreu da decisão.[15] e morreu em 2015, antes do novo julgamento.

 

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Carlos Araújo foi preso em 12 de agosto de 1970. Durante o período em que Dilma esteve presa, Araújo teve um rápido romance com a atriz e então simpatizante da organização Bete Mendes.

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