Rede Globo despreza jornalistas das rotinas da TV Bahia em cobertura nacional.

Grandes tragédias ocorridas na semana passada ajudam a revelar a forma diferenciada de tratamento dado a profissionais da emissora local que retransmite a programação da Globo

  
Giuliana Girardi veio do Sul para a reportagem que o Fantástico apresentou para todo o Brasil

Eles ficaram desde a quinta-feira(24), com dedicação praticamente exclusiva à cobertura da tragédia em Mar Grande, quando uma lancha sofreu acidente e acabou matando várias pessoas e deixando algumas dezenas feridas. Mas na cobertura nacional, a chance de mostrar o que ocorreu na Baía de Todos os Santos, acabou com repórteres considerados “de rede”, mas que aproveitaram informações, imagens e reportagens dos que são classificados como “locais”.

O comportamento da Globo foi o inverso do que ocorreu no Pará, onde a equipe local vem apresentando, diariamente em todos os telejornais, reportagens sobre o naufrágio de uma embarcação que vitimou mais de 20 pessoas, em uma prova de prestígio e confiança ao jornalismo da TV Liberal.

Mauro Anchieta, da Cidade Baixa, com as informações sobre o protesto em Vera Cruz, falou para o Bom Dia Brasil

Desde o dia do acidente, na quinta-feira(24), após um dia inteiro de trabalho, os repórteres “locais” foram substituídos, no Jornal da Nacional, por Mauro Anchieta e Patrícia Nobre, esta última que entrou ao vivo e parecia tão constrangida com a situação que não escondia o nervosismo, apresentando com forte tremor nas mãos.

Patrícia Nobre, antes “editora de rede”, agora repórter de eventuais reportagens do JN, pareceu constrangida com a substituição a colegas que fizeram a cobertura o dia inteiro sobre a tragédia

Os dias seguintes seguiram da mesma forma no principal jornal da emissora e, no domingo, a maior surpresa: nem mesmo os repórteres de “rede” da TV Bahia tiveram chance de uma matéria mais elaborada no Fantástico, programa semanal com excelente audiência nas noites do domingo. A repórter escalada para a reportagem chegou a Salvador vem antes e elaborou uma reportagem com a maioria das imagens feitas por cinegrafistas daqui, algumas entrevistas feitas por repórter também “locais” e informações já conhecidas do público.

A segunda-feira(28) também foi de frustração para os profissionais que partiram cedo para o trabalho na emissora. Depois que Vanderson Nascimento fez o boletim para o Jornal da Manhã do Terminal Náutico do Comércio e Andrea Silva acordou de madrugada para mostrar que os moradores de Vera Cruz impediram a saída de lanchas, a Globo chamou, no Bom Dia Brasil, o repórter de “rede” Mauro Anchieta. Ao falar sobre o protesto, inevitavelmente o Bom Dia Brasil mostrou as imagens da equipe de Andrea, enquanto o repórter que falava para todo o Brasil permanecia 13 quilômetros de distância do ponto onde ocorria o protesto que impediu a saída das embarcações.

Vanderson Nascimento, que fez o boletim ao vivo para o jornal local, acabou sendo substituído para flash de menos de um minuto em rede nacional

Na redação da emissora, ninguém fala sobre o assunto, mas ao atender a ligação e ser questionado sobre o sentimento em relação a esse “desprezo”, um produtor que pediu para não ser identificado disse que “mesmo sendo normal, a gente continua estranhando”. E completou informando que o assunto é com a “chefia”.

Andrea Silva, sempre tratada na redação como “guerreira”, pela constante performance e boa vontade no trabalho, não teve chance no informativo nacional desta segunda-feira(28).

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